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Escolho lembrar. Difícil tarefa, não sei muito bem se quiçá benfazeja, mas que é a que desempenho, por escolha. Há um tanto de veneno nisso, que reverto em medicina, com razoável eficácia. Razoável, contudo, reconheço. Às vezes vazada por variáveis ou contusões que levemente-transbordam-ou-expelem-levemente esse tanto de veneno pra além do sub-repticiamente suportável.

Escolho lembrar sabendo das dores daí advindas, porque reconheço nisso um jeito peculiar de resistir e estar vivo, na curva do erro, no viés desarrazoado, na fração bestial – mais pra bicho que demônio.  Se há nisso algum masoquismo ou auto-flagelo, eu não saberia dizer.  O que digo e sei é que aplacar a dúvida me impede o amargor.  E este é meu verdadeiro temor em vida, que o amargo em mim sobrepuje qualquer dos outros sabores.

Então, eu lembro. Tanto dos afagos quanto dos beliscões. Mesmo que beliscões sejam mais. Porque algo esquisito em mim acredita que só um bicho gente pode seguir, mesmo assim.

Like a dream you can’t catch as long as you just wake up,
this mischievous feeling or idea you can’t grasp,
evading awareness at same time invading oblivion – in you,
all in you…
It is missing something you don’t know, you can’t tell, you have not,
but it is a something brought to your senses somehow,
engineered within your self
for some enlightment or appreciation.
And even if such knowledge is diluted,
dwelling in the misty midst between sleeping and awakening.
I don’t know what I know, I couldn’t tell what has been told, I never had else than just a shred.
And I’m still missing.

Cheiro acre, gosto de terra…

Lembrança é pedaço concreto de sonho.

De quantas formas é possível descrever o teu corpo no meu? As delícias, os afagos, os carinhos, serão infinitos ou apenas revisitados?

Seus dedos nas minhas curvas alinhando retas, isso é poesia ou práxis?

Seu hálito benzendo minhas costas como fosse sacro. O suor de suas espáduas lavando as minhas escápulas. Quantas variações de nós dois se escondem nos verbos da carne?

Tem uma ranhura machucando o vidro da minha janela. Uma ranhura mínima e intensa. Lembra-me a textura de algo lixado por areia, mas ocupa área tão tênue e à revelia, que se impregna em mim enquanto evento importante, e na minha pele se manifesta em sensação, como beliscões de unha.

Tem uma ranhura machucando o vidro da minha janela e eu quero exemplos de flanelas e algodões que me permitam uma aprazível contenção dos excessos.

Quem risca outro diamante só pode ser diamante infeliz. Ou malgrado adamantium.

E se a memória se mostrasse capciosa em toda sua ontologia? Em outras palavras, e se a lembrança que eu tinha dele e das nossas noites de amor não sobrevivessem a um novo confronto com a realidade?

Eu caminhava passos largos em direção àquele encontro carregando dúvidas pretensamente filosóficas no meu coração.

Mas a verdade é que a esta hora meu coração já se acomodara no meio das minhas pernas e juntamente com seu batimento pulsava a minha buceta. Desse jeito, quando dele me aproximei, era como eu pudesse gozar ali.

E bastou apenas um segundo pra que a mágica se desse e não houvesse mais memória, apenas a concretude das mãos dele em minhas ancas e meu pescoço, enquanto beijava a minha boca, a boca que ele sempre gostou, e que ainda agora o agradava, entre línguas, ávidos lábios e murmúrios de delícia.

Ele esfregava o pau em mim e aquela presença inconteste ganhou a vez dos meus beijos, molhados, babados, sôfregos de carne, toda a carne que ele tem; ansiosos estavam meus lábios por serem esgarçados por aquela enorme pica, aquele pau grosso que sempre rompera meus limites.

Mas então já era pouco, e numa manobra máscula, antes mesmo que eu pudesse perceber, ele me colocou de quatro, meus cabelos emaranhados em seus dedos, e forçou sem piedade a pica pra dentro de mim.

Enquanto me rasgava aproximou-se do meu ouvido e dizia de forma sacana: “continua apertada, não é, sua putinha?” Eu, que já estava entregue, perdi-me em descontrole, e tremia de tesão e frenesi.

“Você gosta de meu fuder, gosta?”, eu balbuciava. Ele, espremia meus mamilos retesados, afagava meu grelo com uma displicência angustiantemente agradável, e lambia meu pescoço, meus ombros, minhas costas.

“E você, gosta, minha cachorrinha?”, ele argumentava, ao mesmo tempo em que não esperava resposta, pois tapava a minha boca sufocando gemidos e réplicas.

E assim fomos esgotando nossos desejos e nossas forças, e criando novas memórias, de beijos de ponta de língua, do pau dele preenchendo todos os meus vazios, do nosso cheiro de cio. Memórias renovadas, imediatamente profanas.

Porém, no andar da carruagem da vida, caminharão para sua ontologia filosófica, pois como diria o filósofo, conhecimento é memória.

O que eu conheço é o pau dele na minha buceta, e isso é a minha filosofia.

Quem está na Poli Position

É vitalícia,

Não há competição para com ela.

Eu contudo, divido alguns interesses

E entre tergiversos e digredidos

Gostamos ambas de jogar conversa fora.

Ora, princesa, eu te pagava um salário,

Pelo grampo no aplique, pela perdição de linha and fitness in São Paulo, pela reputação a zerar.

Pagava-te dobrões de ouro, que dinheiro de princesa é dobrão. Por onde dobrem todos os pensamentos, emoções e atitudes,

Que a vida é em curva, que a reta é uma curva, que Deus estaria errado se o céu de Einstein não estivesse certo. O céu dobra numa bela curva.

Como teus cachos ou tuas ancas.

Sempre gostei muito da segunda posição.

How long does it take for a spark to consume itself?

We never know how long a fire would hold, so we should feed it. Lodges attempting to burst, that’s needed indeed.
Said the philosopher, “knowledge is recollection”. I gather whichever I can get to keep this idea of you.
Oh, I know, ideas… they can be overestimated as well as disappointing… but you know? As far as I go I take with me close fellas such as Kant, Hegel, Descartes, Aristotle, Pythagoras. I burn and burst ideas.
I know exactly how to handle them when they turn into reality. Because knowledge is recollection, and gathering proceeds to enhance the spark in me.
How about…?



Ele tem um jeito de me olhar que, mesmo que ele estivesse rezando, eu não poderia pensar senão em doces putarias.

Ele tem um esgar no final do seu sorriso, que denuncia aquela perversão nata, que em momentos oportunos me estrangula, ou me morde, ou me rasga.

Ele tem um pau grande, e grosso, e principalmente sabe usá-lo. E eu, fico louca só de olhar, e hipnotizada, me dedico às lambeções e engolidas, esfregando meu rosto e acariciando seu saco, como um bichinho acalorado de cio.

E quando ele mete, é sempre longo e é sempre muito.

Porque ele tem esse jeito de quem pratica o Tantra, mesmo que assim não seja: às vezes, dentro de mim, ele me pede que não me mexa por apenas um minutinho, porque ele não quer gozar ainda. E após esse vasto e assoberbante minutinho ele continua a meter, e sempre, e mais, até que eu desfaleça de tantos gozos emendados.

E durante os dias, em elevadores e transportes coletivos, ele tem o talento pra permanecer em mim, e me fazer sonhar com o pau dele na minha buceta, e meus mamilos sendo esmigalhados por aqueles dentes.

Eu ia escrever uma carta linda, falando de todos os grandes avanços que performei. Era pra ser uma carta de aniversário, de parabéns e presente, que em dadas circunstâncias me fazia acreditar que falar dos meus particulares avanços seria um gosto gostoso de perceber.

Sabe quando a gente exagera, quando a gente reage de forma atabalhoada e destoante, de forma recorrente com uma mesma pessoa, e aí, a despeito de todos os amores e afeições, essa pessoa fica pra sempre ressabiada contigo? Pois é, estamos falando do aniversário dessa pessoa aí, que é pra lá de ressabiada com essa pessoa que eu sou aqui.

Tivemos anos ruidosos ao longo do caminho. Eu, planejada de amor desde a eternidade, quisera que ele fosse todo meu sonho e ambição, com seus náufragos e baleias e rios lunares… mas ele tinha planos próprios que não me incluiam, ou pelo menos não como eu quisera, e eu então fiz-me distante de uma distância ciosa de esquecimento…

E longa também foi a estrada que nos trouxe uma mesma esquina… e por histórico e conceito prévio, ficou o acordo tácito que eu falo muito, eu peço muito, eu custo muito, eu quero muito. E assim, eu nunca mais soube qual a linha tênue que separa o muito desses verbos aí.

Tento dizer com leveza. Dou graças por minhas graças. Estudo a parcimônia. Namoro o estoicismo.

Assim, com o tempo, cheguei num lugar que achei bacana, acreditei nos passos dados e na vontade suprema de que, como um maquiavélico shakespeareano, all is well that ends well.

Agora, você vê: era uma vez eu, chegada a mais um aniversário daquele que de tanto amor sufoquei, crente que estava mudada, adulta, possível, pronta pra escrever uma cartinha fofa falando de tudo isso, e como eu estava feliz em sermos bons amigos, sem ambiguidades, e aí me aparece o facebook… com seus comentários, ou com a falta deles, e eu descubro a latente e cínica ironia (assim mesmo, no excesso)… meu muito não virou pouco, ele continua demais. E se nesse inferno de agora e Dantes, há algo de anjo em mim, é como Rô Rô lembrando que vou passar minha vida esquecendo você…

E como sei que apesar de parecer pública, esta carta será pra sempre privada, nunca lida por ele, vou postá-la hoje, acreditando numa macumba do universo, que, pelo poder das palavras, entenda o grito surdo que a tudo permeia, que se este amor tem que ser, mesmo que eu saiba que ele não é, que ele invente uma mágica e seja sem dolo ou mácula.

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