E se a memória se mostrasse capciosa em toda sua ontologia? Em outras palavras, e se a lembrança que eu tinha dele e das nossas noites de amor não sobrevivessem a um novo confronto com a realidade?
Eu caminhava passos largos em direção àquele encontro carregando dúvidas pretensamente filosóficas no meu coração.
Mas a verdade é que a esta hora meu coração já se acomodara no meio das minhas pernas e juntamente com seu batimento pulsava a minha buceta. Desse jeito, quando dele me aproximei, era como eu pudesse gozar ali.
E bastou apenas um segundo pra que a mágica se desse e não houvesse mais memória, apenas a concretude das mãos dele em minhas ancas e meu pescoço, enquanto beijava a minha boca, a boca que ele sempre gostou, e que ainda agora o agradava, entre línguas, ávidos lábios e murmúrios de delícia.
Ele esfregava o pau em mim e aquela presença inconteste ganhou a vez dos meus beijos, molhados, babados, sôfregos de carne, toda a carne que ele tem; ansiosos estavam meus lábios por serem esgarçados por aquela enorme pica, aquele pau grosso que sempre rompera meus limites.
Mas então já era pouco, e numa manobra máscula, antes mesmo que eu pudesse perceber, ele me colocou de quatro, meus cabelos emaranhados em seus dedos, e forçou sem piedade a pica pra dentro de mim.
Enquanto me rasgava aproximou-se do meu ouvido e dizia de forma sacana: “continua apertada, não é, sua putinha?” Eu, que já estava entregue, perdi-me em descontrole, e tremia de tesão e frenesi.
“Você gosta de meu fuder, gosta?”, eu balbuciava. Ele, espremia meus mamilos retesados, afagava meu grelo com uma displicência angustiantemente agradável, e lambia meu pescoço, meus ombros, minhas costas.
“E você, gosta, minha cachorrinha?”, ele argumentava, ao mesmo tempo em que não esperava resposta, pois tapava a minha boca sufocando gemidos e réplicas.
E assim fomos esgotando nossos desejos e nossas forças, e criando novas memórias, de beijos de ponta de língua, do pau dele preenchendo todos os meus vazios, do nosso cheiro de cio. Memórias renovadas, imediatamente profanas.
Porém, no andar da carruagem da vida, caminharão para sua ontologia filosófica, pois como diria o filósofo, conhecimento é memória.
O que eu conheço é o pau dele na minha buceta, e isso é a minha filosofia.
