Archive for fevereiro, 2012


Escolho lembrar. Difícil tarefa, não sei muito bem se quiçá benfazeja, mas que é a que desempenho, por escolha. Há um tanto de veneno nisso, que reverto em medicina, com razoável eficácia. Razoável, contudo, reconheço. Às vezes vazada por variáveis ou contusões que levemente-transbordam-ou-expelem-levemente esse tanto de veneno pra além do sub-repticiamente suportável.

Escolho lembrar sabendo das dores daí advindas, porque reconheço nisso um jeito peculiar de resistir e estar vivo, na curva do erro, no viés desarrazoado, na fração bestial – mais pra bicho que demônio.  Se há nisso algum masoquismo ou auto-flagelo, eu não saberia dizer.  O que digo e sei é que aplacar a dúvida me impede o amargor.  E este é meu verdadeiro temor em vida, que o amargo em mim sobrepuje qualquer dos outros sabores.

Então, eu lembro. Tanto dos afagos quanto dos beliscões. Mesmo que beliscões sejam mais. Porque algo esquisito em mim acredita que só um bicho gente pode seguir, mesmo assim.

Like a dream you can’t catch as long as you just wake up,
this mischievous feeling or idea you can’t grasp,
evading awareness at same time invading oblivion – in you,
all in you…
It is missing something you don’t know, you can’t tell, you have not,
but it is a something brought to your senses somehow,
engineered within your self
for some enlightment or appreciation.
And even if such knowledge is diluted,
dwelling in the misty midst between sleeping and awakening.
I don’t know what I know, I couldn’t tell what has been told, I never had else than just a shred.
And I’m still missing.

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